✅ Relatórios e análises sobre o desempenho da indústria têxtil portuguesa
✅ Estatísticas de exportação e impacto no mercado global
✅ Dados sobre emprego, inovação e investimentos no setor
✅ Tendências e evolução do consumo de produtos têxteis
✅ Gráficos e comparações para uma visão clara e objetiva
Principais entidades têxteis em Portugal
Em 2022, a ITV integrava 12.222 empresas, maioritariamente do segmento Moda e Vestuário (70%). Em linha com a generalidade das empresas em Portugal, é essencialmente composta por Pequenas e Médias Empresas (PME, 99,7%): 79,9% são microempresas, 15,5% pequenas e 4,2% médias empresas. Estas empresas empregavam 128.089 pessoas e geraram um VAB na ordem dos 2,7 mil M€
As empresas da ITV localizam-se maioritariamente na Região Norte, concentradas nas Regiões do Ave e do Cávado. A ITV é uma das indústrias mais antigas e tradicionais na economia nacional e mantém-se como um dos maiores e mais importantes setores empresariais.
Mais de 70% das empresas da ITV portuguesa concentram-se no segmento da Moda e Vestuário. Seguem-se os segmentos dos Têxteis Técnicos e Industriais e dos Têxteis Lar. Apesar de com menor importância relativa, é também a Moda e o Vestuário que emprega mais pessoas na ITV (57,8% em 2022), assistindo-se a uma perda de importância relativa desde 2016 (menos 3 p.p.).
Relativamente à produtividade aparente do trabalho, ambos os segmentos da ITV apresentam valores inferiores às restantes indústrias em análise, com os Têxteis a apresentarem um VAB por trabalhador de 28,2 mil euros e o Vestuário de 19,6 mil euros.
As empresas da Fabricação de Têxteis e da Indústria do Vestuário apresentam um grau de intensidade tecnológica inferior ao da média da Indústria Transformadora e da maioria das indústrias selecionadas. No entanto, apesar de um menor nível de intensidade tecnológica, as empresas da Fabricação de Têxteis e da Indústria do Vestuário apresentam um maior peso no VAB da Indústria Transformadora que as indústrias dos Químicos e da Madeira e Cortiça.
As principais indústrias da ITV (Fabricação de Têxteis – CAE 13 e Indústria do Vestuário – CAE 14) têm registado taxas de sobrevivência a dois anos similares (66% e 67%, respetivamente), ambas superiores às taxas de sobrevivência do total das empresas não financeiras em Portugal (59%).
A China lidera enquanto maior exportador, com uma quota de 36,4% das exportações mundiais. O Vietname ocupa a segunda posição do ranking (5,2%), seguindo-se dois países europeus – Alemanha e Itália (quotas de 4,8% e 4,5%, respetivamente). Portugal ocupa a 27ª posição, com uma quota de 0,7% das exportações mundiais.
As exportações de produtos das empresas da ITV portuguesa atingiram os 5.815 M€ e representaram 7,5% das exportações de bens em 2023, registando-se um decréscimo homólogo na ordem dos 5,2%, após um aumento de 12,4%, em 2022 face a 2021, decorrente do cenário de conflitos internacionais, que refletiram o acréscimo da estrutura de preços na produção, uma quebra nos circuitos de distribuição, acompanhado pelo decréscimo da procura.
A análise do contributo dos diferentes segmentos da ITV para a evolução das respetivas exportações evidencia a importância da Moda e Vestuário ao longo do período em análise. Seguem-se os segmentos das Fibras, Fios e Tecidos e dos Têxteis Lar, com ambos os segmentos a influenciarem negativamente a evolução em 2023, à semelhança da Moda e Vestuário.
Em 2023, os principais mercados de destino das exportações da ITV foram a Espanha (23,1%), a França (16,3%), a Alemanha (8,7%) e Estados Unidos da América (7,9%), que no seu conjunto representaram 80% das exportações nacionais da ITV. O mercado intracomunitário representa 73,1% do destino das exportações da ITV.
Em 2023, as importações de bens da ITV foram de 5.181 M€, tendo-se observado um decréscimo de 5,4% face ao ano anterior. Neste ano, as importações da ITV representaram 4,9% do total das importações de bens. Os principais produtos importados enquadram-se no segmento da Moda e Vestuário, que representou 57,9% das importações da ITV em 2023.
Os principais mercados de origem das importações da ITV são a Espanha (34,7%) a Itália (11,6%) e a China (8,8%), representando mais de metade (55,1%) do total em 2022.
O saldo da balança comercial de bens da ITV apresenta-se como positivo, atingindo o valor de 634 M€, menos 3,9% que o valor de 2022. A taxa de cobertura das importações pelas exportações da ITV foi de 112,2% em 2022, mantendo-se relativamente estável face a 2021.
Apesar da evolução menos favorável das exportações de produtos da ITV e da perda de importância relativa a nível internacional, Portugal apresenta uma vantagem comparativa revelada (com base no índice de vantagens comparativas - IVCR) de 1,9 no conjunto dos Têxteis e Vestuário e seus acessórios, valor acima a alguns países com maior importância relativa no total destas exportações.
Em 2022, Portugal ocupava a 27.ª posição do ranking mundial das exportações da ITV, com uma quota de 0,7% das exportações mundiais. A Áustria e a Austrália ocupam a 26ª e 28ª posição, com quotas muito próximas à de Portugal, assistindo-se a uma quebra na quota de Portugal face a anos anteriores. A análise desagregada dos fluxos das exportações da ITV pelos dois segmentos mostra que Portugal ocupa o 26.º lugar no ranking mundial dos têxteis e o 23.º lugar no ranking das exportações de vestuário e seus acessórios, apresentando quotas mundiais semelhantes.
Ao nível dos mercados exportadores comunitários, a Alemanha, a Itália e a Espanha constituem-se como os três principais exportadores da UE, representando 19,5%, 18,4% e 9,6%, respetivamente, das exportações comunitárias de produtos da ITV em 2022 (quotas mundiais de 4,9%, 4,5% e 2,4%, respetivamente). Portugal ocupa o 10º lugar do ranking dos mercados exportadores da UE, com uma quota de 3,0%, sendo os seus principais concorrentes a Áustria e Chéquia.
Relativamente ao mercado externo, verifica-se um peso elevado das exportações no volume de negócios da ITV, essencialmente na Indústria do Vestuário (70,2%), apenas ultrapassado pela Automóvel. A Fabricação de Têxteis também apresenta um elevado peso das exportações (53,9%), acima do registado pela Indústria Transformadora. Ao nível das importações, verifica-se uma maior dependência externa no segmento dos Têxteis face ao do Vestuário (38,2% e 21,7%, respetivamente), mas abaixo da média da Indústria Transformadora.
De acordo com os dados mais recentes, em 2022, 75% do Investimento (medido pela Formação Bruta de Capital Fixo) efetuado pelas empresas da ITV foi efetuado pelos segmentos Fibras, Fios e Tecidos (43,8%) e Moda e Vestuário (31,2%). Estes dois segmentos têm vindo a ser os principais investidores da ITV, destacando-se também o esforço em investimento por parte dos Têxteis Técnicos e Industriais. Neste ano, o investimento da ITV cresceu 7,1% em termos homólogos.
O IDE na ITV tem vindo a registar taxas de variação anuais negativas, com o ano de 2021 a registar o maior decréscimo, em consequência dos cenários de crise económica internacional provocada pela COVID 19. Nos Têxteis Técnicos e Industriais, a variação negativa foi superior à da média da ITV em 2021 e 2022, ao contrário da Moda e Vestuário, com as menores variações anuais negativas da ITV nos dois últimos anos.
As atividades da ITV apresentam uma distribuição do investimento em I&D similar nos vários segmentos, cujos pesos se situam na ordem dos 28% a 30%, à exceção do segmento Têxteis Lar, com menor investimento em I&D (10%) e menor número de empresas com atividades de I&D (11,1%).
A análise da intensidade tecnológica pelos segmentos da ITV nacional evidencia o esforço dedicado ao investimento em I&D das empresas dos Têxteis Técnicos e Industriais e das Fibras, Fios e Tecidos, com níveis de intensidade tecnológica superiores (3,41% e 2,24%, respetivamente) ao da média da ITV no seu todo (1,67%).
Das 9,7% das empresas da ITV que receberam apoio financeiro público para as atividades de inovação (de produto ou processo), 3,6% utilizaram-no para a I&D ou em outras atividades de inovação (para o total das empresas, estas percentagens foram de 16% e 5,2%). O segmento dos Têxteis Técnicos Industriais foi o que apresentou a maior percentagem de empresas inovadoras que receberam esse apoio (24,7%), seguido dos Têxteis Lar (17,1%).
Entre 2010 e o 1.º semestre de 2023, foram apresentados 22.376 pedidos de marca nacional relativos aos têxteis e vestuário, tendo sido concedidos 18.122 (já excluindo as situações de duplicação de classes). Importa referir que a maioria dos pedidos de marca nacional do setor são referentes a produtos de Vestuário, Calçado e Chapelaria (Classe 25 da classificação NICE).
As empresas da ITV têm vindo a registar uma evolução positiva dos seus níveis de produtividade aparente do trabalho (medida pelo VAB por trabalhador), registando acréscimos de produtividade superiores ao da média nacional. Em 2022, em média, cada trabalhador da ITV contribuiu com cerca de 21.252 euros (20.115 em 2021) para a riqueza nacional, ainda que inferior ao valor médio do total das empresas em Portugal de 28.857 euros (25.710 em 2021).
Fonte: GEE (2024), Estudos Setoriais 2030 – Indústria Têxtil e do Vestuário em Portugal, Lisboa, outubro 2024
Conteúdo informativo e artigos especializados sobre inovação, sustentabilidade e tendências no têxtil.
Encontre respostas para perguntas comuns
Fique a par da atualidade da indústria têxtil portuguesa