Dados agregados das principais associações sectoriais e do relatório GEE 2024 (Estudos Setoriais 2030). Valores referentes a 2022-2023, devidamente sinalizados com a fonte.
As exportações da ITV portuguesa representaram 7,5% das exportações de bens em 2023. Os principais destinos são Espanha (23,1%), França (16,3%), Alemanha (8,7%) e EUA (7,9%). O mercado intracomunitário absorve 73,1% do total exportado.
Fonte: GEE (2024), Estudos Setoriais 2030
Em 2022, a ITV portuguesa empregava 128.089 pessoas, gerando um Valor Acrescentado Bruto de 2,7 mil M€. A Região Norte concentra a maioria do emprego, com os clusters do Ave e do Cávado a dominarem a geografia industrial.
Fonte: GEE (2024), Estudos Setoriais 2030
Em 2022, existiam 12.222 empresas na ITV portuguesa: 79,9% microempresas, 15,5% pequenas, 4,2% médias. Esta estrutura de PMEs especializadas permite flexibilidade produtiva e capacidade de resposta a encomendas de médio volume.
Fonte: GEE (2024), Estudos Setoriais 2030
A Região Norte concentra a maioria da produção têxtil nacional, com foco no Ave e no Cávado. Barcelos lidera em malha jersey e GOTS. Vale do Ave em tecido plano e tinturaria. São João da Madeira em outerwear técnico. Covilhã em knitwear de lã.
Fonte: ATP/ANIVEC 2024
As fábricas portuguesas entregam em 60 a 90 dias, contra os 90 a 120 dias habituais no Bangladesh e na China. Num calendário de 2 a 4 colecções por ano, esta vantagem reduz o risco de inventário e permite colecções mais ajustadas à procura real.
Fonte: texteis.org 2026
O saldo da balança comercial da ITV portuguesa é positivo, atingindo 634 M€ em 2023. A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 112,2%, confirmando o papel de Portugal como exportador líquido no sector.
Fonte: GEE (2024), Estudos Setoriais 2030
Principais indicadores do relatório Estudos Setoriais 2030 do GEE (Gabinete de Estratégia e Estudos), publicado pelo Ministério da Economia em outubro de 2024. Os gráficos abaixo são originais do relatório e cobrem estrutura empresarial, produtividade, exportações, importações e posicionamento internacional da ITV portuguesa.
Fonte: GEE (2024), Estudos Setoriais 2030 - Indústria Têxtil e do Vestuário em Portugal, Ministério da Economia, Lisboa, outubro 2024.Em 2022, a ITV integrava 12.222 empresas, maioritariamente do segmento Moda e Vestuário (70%). É essencialmente composta por PME (99,7%): 79,9% são microempresas, 15,5% pequenas e 4,2% médias. Estas empresas empregavam 128.089 pessoas e geraram um VAB de 2,7 mil M€.
As empresas da ITV localizam-se maioritariamente na Região Norte, concentradas nas Regiões do Ave e do Cávado. A ITV é uma das indústrias mais antigas e tradicionais na economia nacional, mantendo-se como um dos maiores sectores empresariais portugueses.
Mais de 70% das empresas da ITV portuguesa concentram-se no segmento da Moda e Vestuário, que é também o que mais emprega (57,8% em 2022). Seguem-se os Têxteis Técnicos e Industriais e os Têxteis Lar, com menor importância relativa.
Ambos os segmentos da ITV apresentam produtividade aparente inferior às restantes indústrias: os Têxteis registam um VAB por trabalhador de 28,2 mil euros e o Vestuário de 19,6 mil euros. A evolução é positiva em termos homólogos, com crescimentos superiores à média nacional.
As empresas da ITV apresentam um grau de intensidade tecnológica inferior ao da média da Indústria Transformadora. Ainda assim, têm um peso no VAB superior ao dos Químicos e da Madeira e Cortiça. Os Têxteis Técnicos lideram a intensidade tecnológica dentro da ITV (3,41%).
As empresas da ITV registam taxas de sobrevivência a dois anos de 66% (Fabricação de Têxteis) e 67% (Indústria do Vestuário), ambas superiores à taxa de sobrevivência do total das empresas não financeiras em Portugal (59%). Um sinal claro da resiliência do sector.
A China lidera as exportações mundiais de ITV com 36,4%. O Vietname ocupa o 2º lugar (5,2%), seguido da Alemanha e Itália. Portugal ocupa a 27ª posição, com uma quota de 0,7% das exportações mundiais. Ao nível europeu, ocupa o 10º lugar com 3,0% das exportações comunitárias.
As exportações da ITV portuguesa atingiram 5.815 M€ em 2023, representando 7,5% das exportações de bens. Registou-se um decréscimo de 5,2% face a 2022, após um aumento de 12,4% em 2022. O contexto de conflitos internacionais e quebra da procura europeia explicam a correção.
A Moda e Vestuário é o segmento dominante nas exportações da ITV ao longo do período em análise. Seguem-se as Fibras, Fios e Tecidos e os Têxteis Lar. Em 2023, todos os segmentos contribuíram negativamente para a evolução, reflectindo a contracção global da procura.
Em 2023, os principais destinos das exportações da ITV foram Espanha (23,1%), França (16,3%), Alemanha (8,7%) e EUA (7,9%), representando 80% das exportações nacionais. O mercado intracomunitário representa 73,1% do total, reforçando a vocação europeia do sector.
Em 2023, as importações da ITV foram de 5.181 M€, com um decréscimo de 5,4% face ao ano anterior. As importações da ITV representaram 4,9% do total das importações de bens portuguesas. O segmento da Moda e Vestuário representou 57,9% das importações da ITV.
Os principais mercados de origem das importações da ITV são Espanha (34,7%), Itália (11,6%) e China (8,8%), representando mais de metade (55,1%) do total. A forte presença espanhola reflecte a integração das cadeias de valor ibéricas no sector têxtil e de vestuário.
Cada cluster tem uma especialidade distinta, com diferentes perfis de certificação, MOQ e capacidade produtiva. Conhecer a geografia industrial portuguesa é essencial para encontrar a fábrica certa para o produto certo.
| Cluster | Especialidade | Empresas aprox. | Trabalhadores | Certificações comuns | MOQ típico |
|---|---|---|---|---|---|
| Barcelos | Malha jersey, sweatshirts, GOTS | 400+ | 15.000+ | GOTS, OEKO-TEX, SA8000 | 100-200 pcs |
| Vale do Ave | Tecido plano, tinturaria, denim | 600+ | 25.000+ | OEKO-TEX, ISO 9001 | 150-300 pcs |
| Guimarães e Braga | Vestuário diversificado | 300+ | 12.000+ | OEKO-TEX, ISO 9001 | 150-500 pcs |
| São João da Madeira | Outerwear técnico, sportswear | 150+ | 6.000+ | bluesign, OEKO-TEX | 100-200 pcs |
| Covilhã / Beira Interior | Knitwear lã merino, casacos | 200+ | 8.000+ | RWS, OEKO-TEX | 50-150 pcs |
| Grande Porto | Moda, luxo, woven diversificado | 250+ | 10.000+ | ISO 9001, OEKO-TEX | 100-300 pcs |
Nas décadas de 1980 e 1990, Portugal competia principalmente pelo custo da mão-de-obra. A entrada de países como Bangladesh, Vietname e Cambodja forçou uma reconversão gradual mas profunda. Hoje, o sector têxtil português posiciona-se acima da Europa de Leste e da Ásia na cadeia de valor: compete pela qualidade de execução, pelos prazos de entrega europeus e pelas certificações de sustentabilidade.
Para uma marca que procura posicionar-se com fabrico europeu e sustentável, Portugal oferece actualmente uma combinação de MOQ acessível, certificações reconhecidas e lead times competitivos que dificilmente se encontra num único mercado alternativo. O índice de vantagens comparativas reveladas (IVCR) de 1,9 confirma uma vantagem real e mensurável nas exportações têxteis.
Os preços CMT (cut, make, trim) abaixo referem-se apenas à confecção, sem custos de matéria-prima, shipping ou certificação. Valores estimativos indicativos. Todos os preços e lead times variam conforme especificações técnicas, volume e fábrica.
| Origem | T-shirt CMT | Sweatshirt CMT | Casaco CMT | Lead time | Alfândegas UE |
|---|---|---|---|---|---|
| Portugal | €1.50 - €3 | €4 - €7 | €18 - €35 | 60-90 dias | 0% (origem UE) |
| Turquia | €1 - €2 | €3 - €5 | €12 - €25 | 60-90 dias | 12% (fora UE) |
| Marrocos | €1 - €1.80 | €2.50 - €4.50 | €10 - €20 | 45-75 dias | 0% (acordo EPA) |
| Bangladesh | €0.60 - €1.20 | €1.80 - €3 | €8 - €16 | 90-120 dias | 12% (GSP) |
| China | €0.80 - €1.50 | €2 - €4 | €10 - €20 | 90-120 dias | 12-25% |
Respostas directas às questões mais comuns sobre a indústria têxtil portuguesa, com base nos dados do relatório GEE 2024 e fontes sectoriais verificadas.
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